Prefeitura Municipal de Fortaleza

SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE

SAMU 192 - FORTALEZA

É essencial que esclareçamos os seguintes pontos:

  1. Como funciona o acesso telefônico à Central SAMU – 192?

  2. A importância dos dados fornecidos pelo solicitante e de sua ação na cena da ocorrência.

  3. A Regulação Médica e o deslocamento de ambulâncias (seu número e disponibilidades).

O SAMU – 192 atende, em média, 2.700 chamadas diárias, das quais, aproximadamente, 67% (1800 a 2000 ligações) são de trotes e chamados indevidos. A diferença entre trote e chamado indevido é que o primeiro é uma informação falsa e o segundo é uma informação verdadeira, mas que não é do perfil de atendimento do SAMU. A incidência de trotes diários chega a 38 – 47% das ligações (1000 a 1400 ligações/dia).

Assim, a média diária de "chamados devidos" é de cerca de 700 a 1000 chamados. Aqui estão incluídos todos os tipos e motivos de solicitações (gineco-obstétricas, cirúrgicas, causas externas, clínicas, pediátricas e psiquiátricas). Todos estes tipos devem ser ainda classificados em urgências severas, moderadas e leves. De fato, aproximadamente, apenas 200 solicitações são atendidas diariamente (algo em torno de 6% do total de ligações ou 20% dos chamados devidos). Essa baixa taxa de atendimento aos chamados se deve, essencialmente, ao fato de que o SAMU não tem o objetivo de atender a todos os chamados, mas o de atender aos chamados mais graves.

Se todo dia recebemos 700 a 1000 chamados devidos e removemos apenas 200 pacientes, diariamente 500 a 800 solicitantes não serão atendidos. São cerca de 24.000 pessoas insatisfeitas mensalmente com o SAMU! Então, sempre será altamente provável que a maioria das pessoas com quem conversamos sobre o SAMU seja insatisfeita ou conheça alguém insatisfeito com o serviço telefônico do SAMU.

Como mudar isso? Educação e conscientização da população, a nível macro (campanhas de educação na mídia) e a nível micro (palestras educativas em escolas, etc.).

Outro ponto de insatisfação é a aparente “burocracia” do tele-atendimento! Temos que deixar claro a importância do solicitante como ferramenta essencial de descrição do ocorrido ao médico regulador.

Isso envolve esclarecer que o SAMU trabalha com Telemedicina, baseado em dois documentos internacionais (a Declaração de Lisboa e a Convenção de Telaviv) ratificados por portaria ministerial do Ministério da Saúde do Governo Brasileiro. Assim, o telefonista (TARM) e o Médico Regulador têm por obrigação fazer perguntas e se certificar de que o solicitante está ao lado do paciente, pois isso será de suma importância para a deflagração do Suporte Básico de Vida, cujo primeiro passo é ‘Avaliar a responsividade’. Do contrário os profissionais do SAMU serão passíveis de sanções administrativas e processos criminais e cíveis. Podemos dizer ao solicitante que: “No mundo inteiro, a presença no local da ocorrência é fundamental para avaliar cor da pele, respiração e, inclusive, para falar com o paciente”.

O médico regulador tem que discernir aqueles casos que precisam somente de transporte daqueles que necessitam de remoção em ambulância do serviço SAMU – 192.

Muitos casos serão resolvidos apenas por essa avaliação inicial. Qualquer solicitante é capaz de reconhecer um hálito etílico num paciente desacordado e, por exemplo, um paciente muito alcoolizado que precisa de remoção ao hospital, na maioria dos casos, não necessita de remoção em ambulância, podendo esta ser feita por qualquer cidadão, inclusive o solicitante, e em qualquer veículo.

Um paciente desidratado por uma diarréia ou um paciente epilético que apresentou uma convulsão e não está mais desacordado, também podem necessitar de remoção à atenção secundária, mas não necessariamente numa viatura do SAMU – 192.

Outra causa de insatisfação freqüente, nos 200 atendimentos diários, é o tempo de chegada das ambulâncias no local das ocorrências. Sabemos que a velocidade máxima de deslocamento em segurança nas vias principais urbanas é, em média, de 60Km/h, e nas secundárias de 40km/h. Esse dado não é determinado por acaso. A fundamentação deste número está em cálculos de engenharia de trânsito, aderência da pista, largura da via, zonas de congestionamento ou tráfego de pedestres, etc.. É inadmissível que uma ambulância trafegue em alta velocidade próximo a escolas, por exemplo, pois um dos princípios básicos de segurança no atendimento é zelar para que não se aumentem as vítimas e isso inclui a equipe de atendimento e as pessoas que essa equipe encontrar em seu deslocamento!

Supondo que um paciente em parada respiratória tenha, em média, 6 minutos de vida cerebral (sabemos que a morte cerebral começa aos 3 minutos de anóxia, mas o número 6 é escolhido por conveniências de cálculo), e que a ambulância deslocada trafegue a uma velocidade média máxima de 60km/h (1km/minuto) nas ruas principais de Fortaleza, ela teria que estar com a equipe a postos e o motor em funcionamento a apenas 6km de distância da ocorrência, para dar o primeiro atendimento.

Para isso, ocorrência teria que ser numa via principal e com trânsito livre de tráfego. Na prática, nas ocorrências com acesso por vias secundárias, com uma velocidade média menor do que 40km/h, em horários de congestionamento, essa distância ideal da ocorrência cairá para quatro ou três quilômetros (algumas quadras da solicitação). Explica-se assim a aparente demora de chegada, devido às distâncias e velocidade de deslocamento.

Não diríamos que é impossível, mas é altamente improvável que isso ocorra, a não ser por um feliz acaso. Isso fundamenta mais ainda a importância do solicitante estar próximo ao paciente e que ele faça de imediato algo para o paciente! Numa parada respiratória, por exemplo, inicie as compressões torácicas após seguir o protocolo de Suporte Básico de Vida, sob a orientação do médico regulador.

A responsabilidade do primeiro atendimento não é apenas da equipe que está em deslocamento. Existe uma responsabilidade solidária do solicitante no primeiro atendimento ao paciente. O papel dos TARM’s e médicos reguladores são imprescindíveis nos casos de PCR.

Existe um cálculo previsto em portaria ministerial (Portaria GM/MS n.º 1.864, de 29 de setembro de 2003) que determina a existência de uma equipe de suporte básico à vida para cada 100.000 a 150.000 habitantes e uma de suporte avançado à vida para cada 400.000 a 450.000 habitantes. Fortaleza, com seus 2.315.116 habitantes, atende a essa determinação ministerial com 18 equipes de USB e 05 equipes de USA (2 UTI, 2 VIR – carro médico, e 1 UTI Transferência).

É importante que façamos o seguinte cálculo: qual o tempo diário de uso do nosso carro particular, destes que usamos somente para nossa locomoção? Duas horas? Duas horas e meia? Vamos pegar 3 horas, para facilitar o cálculo! Com 3 horas de uso diário, em quanto tempo nosso carro particular fica velho e passa por manutenções freqüentes? Três anos? Quatro anos? E um carro que é usado cerca de 18 horas (seis vezes mais, para facilitar os cálculos) por dia ficará velho em quanto tempo? Cerca de 8 meses!! Mesmo assim, a estimativa do Ministério da Saúde para a reposição da frota é de 4 anos! É por isso que nossos carros estão ficando velhos e não temos uma reposição.

Além disso, mesmo com uma frota nova, as viaturas não estarão disponíveis 24 horas por dia, uma vez que existe um tempo legal de uma hora por plantão para o descanso e alimentação das equipes de trabalho, de cerca de 40 minutos para a desinfecção (trajeto do hospital para o local de desinfecção e a desinfecção propriamente dita) e de cerca de 20 minutos  em média para reposição de material e medicamentos e reabastecimento de combustível.

Com isso, devemos enfatizar novamente o papel do solicitante, tanto no fornecimento dos dados quanto nos procedimentos iniciais enquanto espera a chegada do Suporte de Vida do SAMU – 192. A pessoa que liga para o SAMU é a peça crucial para o sucesso do atendimento!

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